Crédito da Foto: Arquivo / Assessoria
A conduta da Polícia Militar de Mato Grosso durante a partida realizada no último domingo, no Estádio Presidente Eurico Dutra, o Dutrinha, em Cuiabá, passou a ser alvo de críticas após a divulgação de uma nota oficial da Torcida Organizada Boca Suja (TBS). A intervenção policial, que teria envolvido o uso de gás de pimenta e agressões físicas, motivou a organizada a cobrar providências das autoridades de segurança e a questionar a narrativa apresentada pela corporação.
No documento, a TBS classifica a ação como excessiva, desnecessária e abusiva. De acordo com a torcida, a intervenção ocorreu sem motivo aparente e deixou torcedores feridos nas arquibancadas. A nota também contesta o boletim de ocorrência registrado após o episódio, apontando divergências entre o relato oficial e o que, segundo a organizada, de fato aconteceu dentro do estádio.
“A TBS repudia de forma veemente a ação truculenta, desproporcional e covarde da Polícia Militar de Mato Grosso, bem como o boletim de ocorrência fantasioso elaborado pela corporação”, diz um trecho da nota.
Um dos pontos mais questionados pela torcida organizada é a alegação de que torcedores teriam tentado tomar a arma de fogo de policiais durante a confusão. Segundo a TBS, essa versão não corresponde à realidade e pode ser facilmente refutada por imagens do sistema de monitoramento do estádio, além de gravações feitas por celulares de torcedores presentes no local.
“Essa afirmação não condiz com os fatos. As câmeras de segurança do Estádio Presidente Dutra e os diversos vídeos registrados por celulares comprovarão que não houve qualquer tentativa de agressão ou investida contra o armamento policial”, afirma a entidade.
A Torcida Organizada Boca Suja reforça que, em nenhum momento, houve confronto físico com os agentes ou tentativa de desarmamento. Para a entidade, o conteúdo do boletim de ocorrência representa uma distorção grave dos acontecimentos, o que, além de comprometer a credibilidade do registro, aumenta a tensão entre torcedores e forças de segurança.
Diante do episódio, a organizada solicita a abertura de uma investigação rigorosa por parte da Secretaria de Estado de Segurança Pública e do Comando-Geral da Polícia Militar de Mato Grosso. O pedido inclui a apuração do possível uso excessivo da força e a análise de eventual falsidade ideológica nas informações inseridas no boletim de ocorrência.
O caso volta a levantar discussões sobre os protocolos de atuação policial em eventos esportivos e a necessidade de equilíbrio entre a manutenção da ordem e o respeito aos direitos dos torcedores. Especialistas da área defendem que ações em estádios priorizem estratégias preventivas e de mediação, reduzindo o risco de confrontos e ferimentos.
“Exigimos que a Secretaria de Segurança Pública e o Comando-Geral da PM-MT apurem o excesso de força e a falsidade ideológica presentes no boletim de ocorrência”, reforça a nota.
Até o momento, a Polícia Militar de Mato Grosso não se pronunciou oficialmente sobre as acusações nem informou se haverá a abertura de procedimento interno para investigar a conduta dos agentes envolvidos. A falta de posicionamento mantém a expectativa por esclarecimentos e possíveis medidas institucionais.
O episódio ocorre em meio ao aumento do debate público sobre a atuação das forças de segurança em eventos de grande porte e deve continuar repercutindo nos próximos dias. O resultado das apurações poderá impactar a relação entre torcidas organizadas e autoridades, além de influenciar futuros protocolos de segurança no Estádio Presidente Eurico Dutra.









