Crédito da Foto: Emanuelle Ribeiro / ge
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) suspendeu o atacante Bruno Henrique, do Flamengo, por 12 partidas após julgamento realizado nesta quinta-feira (4). O jogador foi acusado de forçar um cartão amarelo na partida contra o Santos, em novembro de 2023, no estádio Mané Garrincha, em Brasília, episódio que teria favorecido apostadores. A sessão durou mais de oito horas e ainda cabe recurso.
Por unanimidade parcial (4 a 1), os auditores absolveram Bruno Henrique da acusação de manipulação direta de resultado (artigo 243 do CBJD), mas entenderam que ele violou a ética desportiva (artigo 243-A). Além da suspensão, o atacante também recebeu multa de R$ 60 mil.
Flamengo prepara defesa
O clube carioca já anunciou que recorrerá ao Pleno do STJD e solicitará efeito suspensivo, medida que pode permitir que o jogador continue atuando até o novo julgamento. A legislação prevê esse direito em punições a partir de dois jogos, embora, devido à gravidade do caso, exista a possibilidade de indeferimento.
Bruno Henrique não compareceu presencialmente ao tribunal, mas acompanhou o julgamento por videoconferência, declarou-se inocente e fez um pronunciamento breve. Sua defesa foi conduzida pelo advogado Alexandre Vitorino, com apoio dos representantes jurídicos do Flamengo, Michel Assef Filho e Flavio Willeman.
Outros denunciados
Além do atacante, a Procuradoria denunciou outros quatro atletas amadores. Claudinei Vitor Mosquete Bassan, Andryl Sales Nascimento dos Reis e Douglas Ribeiro Pina Barcelos participaram da audiência de forma remota, enquanto Wander Nunes Pinto Júnior, irmão de Bruno Henrique, foi representado por advogado.
As denúncias contra o jogador incluíram diversos artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (243, 243-A, 184 e 191), além do regulamento geral de competições da CBF.
Caso também corre na Justiça comum
Paralelamente, Bruno Henrique responde a processo na Justiça Federal. A Polícia Federal o indiciou em abril sob acusação de fraude esportiva, com base no artigo 200 da Lei Geral do Esporte, que prevê pena de dois a seis anos de prisão. A denúncia do Ministério Público do Distrito Federal foi aceita, tornando o jogador réu.
De acordo com as investigações, Bruno Henrique teria informado ao irmão que receberia um cartão amarelo no duelo contra o Santos. A partir disso, familiares e amigos realizaram apostas específicas, levantando suspeitas pelo volume financeiro envolvido. Conversas extraídas do celular de Wander, alvo de operação em novembro de 2023, embasaram a acusação.
Entre os investigados estão o próprio irmão do atleta, Wander, sua esposa Ludymilla Araújo Lima, a prima Poliana Ester Nunes Cardoso e amigos próximos. Ludymilla e Poliana, no entanto, não foram denunciadas pelo STJD.









