Crédito da Foto: Arquivo/Assessoria
Uma operação internacional de grande escala foi necessária para levar da China até Cuiabá a maior roda-gigante da América Latina. Com 108 metros de altura, a estrutura percorreu mais de 17 mil quilômetros até chegar ao Parque Novo Mato Grosso, em uma logística que envolveu cinco navios, dezenas de contêineres e aproximadamente 80 caminhões.
O transporte foi planejado durante seis meses e envolveu profissionais brasileiros e chineses. Algumas peças chegaram a pesar 70 toneladas, exigindo estudos de engenharia, planejamento de rotas e cuidados especiais durante todo o percurso.
Quando estiver em funcionamento, a atração contará com 42 cabines, cada uma com capacidade para seis a oito passageiros. Ao todo, até 336 pessoas poderão utilizar a roda-gigante simultaneamente. A previsão é que cada volta tenha duração entre 30 e 35 minutos.
A proposta de instalação foi apresentada em dezembro de 2024, enquanto os primeiros componentes começaram a chegar a Cuiabá no início de 2026. O principal desafio foi organizar a produção, o embarque e a chegada das peças na ordem correta para evitar atrasos na montagem.
Segundo Maria Luísa Gutowski Silva, integrante da equipe responsável pela operação logística, o trabalho exigiu acompanhamento constante. Reuniões frequentes foram realizadas para definir quais componentes deveriam ser enviados primeiro e garantir que a montagem pudesse avançar sem interrupções.
Peças enormes exigiram planejamento especial
O tamanho dos componentes também criou dificuldades ainda na própria China. Algumas estruturas eram tão grandes que não havia espaço suficiente para armazená-las na fábrica após a produção.
Por isso, as peças precisavam ser retiradas rapidamente para liberar espaço para a fabricação dos próximos componentes. O projeto também representou um desafio para o fabricante chinês, que nunca havia produzido uma roda-gigante daquele porte.
Outro obstáculo foi o calor intenso durante o verão chinês. Em alguns momentos, inspeções e acompanhamentos técnicos precisaram ocorrer durante a noite. Um engenheiro brasileiro participou da conferência das especificações antes que os componentes fossem embarcados.
A identificação das peças também exigiu atenção especial. Com centenas de componentes desmontados espalhados pelo pátio, foi necessário organizar e conferir cada parte para determinar a sequência correta de montagem.
Cinco navios fizeram o transporte internacional
A viagem marítima foi dividida em quatro embarques realizados a partir do porto de Taicang, em Xangai, com destino ao Porto de Santos, em São Paulo.
No total, os componentes viajaram em cinco navios: três embarcações do tipo break bulk, utilizadas para cargas de grandes dimensões, e outras duas de carga geral. A operação também contou com mais de 40 contêineres especiais.
Um dos maiores desafios foi o transporte do eixo central da roda-gigante, que possui 16 metros de comprimento e pesa aproximadamente 70 toneladas.
Por causa das dimensões e do peso, foram necessários estudos de engenharia, caminhões-prancha especiais, análise de rotas e autorizações para que a carga pudesse circular pelas rodovias brasileiras.
Cerca de 80 caminhões levaram as peças até Cuiabá
Depois de aproximadamente 55 dias de viagem pelos oceanos, os componentes chegaram ao Brasil e iniciaram a etapa terrestre da operação.
Cerca de 80 caminhões foram utilizados para transportar as peças de Santos até Cuiabá. Em determinados trechos, houve necessidade de escolta e planejamento específico para evitar problemas com pontes, viadutos e demais estruturas rodoviárias.
As cargas que ultrapassavam os limites convencionais de altura e largura exigiram estudos detalhados das rodovias. Também foram necessárias autorizações e medidas para controlar o trânsito durante a passagem dos veículos.
A logística precisou considerar ainda o peso suportado pelas estradas e pelas estruturas existentes no caminho. No caso das cargas mais altas, a equipe analisou previamente a passagem por viadutos e outros pontos considerados críticos.
Para os profissionais envolvidos, o projeto se tornou uma das maiores operações já realizadas pela equipe. Apesar de estarem acostumados com o transporte de máquinas industriais e cargas superdimensionadas, a dimensão e a finalidade da roda-gigante tornaram a operação ainda mais especial.
Agora, depois de atravessar milhares de quilômetros por mar e terra, a estrutura começa a ganhar forma em Cuiabá e promete se tornar uma das principais atrações do Parque Novo Mato Grosso.









