Crédito da Foto: Bruno Cassucci
Uma reunião entre a diretoria do Corinthians e executivos da consultoria Ernst & Young (EY) confirmou o cenário preocupante das finanças do clube e apontou caminhos para tentar conter a crise. O relatório apresentado na última segunda-feira (20), no Parque São Jorge, detalha a dívida bilionária de R$ 2,7 bilhões e sugere a recuperação judicial como uma alternativa para reorganizar as contas.
Contratada ainda na gestão de Augusto Melo, a EY só pôde apresentar seus resultados agora, após o pagamento do serviço pela atual diretoria, comandada por Osmar Stabile. O levantamento, que inclui diagnósticos financeiros e contratuais, indica falhas graves de gestão, contratos lesivos e riscos de insolvência.
O relatório financeiro da consultoria confirma que o clube acumulava R$ 2,2 bilhões em dívidas até junho de 2024 — valor que subiu para cerca de R$ 2,7 bilhões neste ano. Mesmo assim, a EY apontou oito frentes de otimização que poderiam gerar economia anual de até R$ 84 milhões. Se todas as medidas fossem implementadas, o Corinthians poderia reduzir sua relação entre dívida e geração de caixa de 12 para 7, sinalizando melhora de desempenho financeiro.
Apesar disso, a consultoria alerta que, sem medidas estruturais, o clube dificilmente conseguirá equilibrar as finanças apenas com cortes e aumento de receita. Por isso, recomenda a adesão ao Regime Centralizado de Execuções (RCE) — que já está em curso e envolve R$ 367 milhões em dívidas — ou a adoção de planos de recuperação extrajudicial ou judicial.
Segundo a EY, o cenário é crítico a ponto de o Corinthians ter perdido capacidade de honrar compromissos já em setembro de 2024. A consultoria também previa o risco de transfer ban, o que se concretizou em agosto deste ano. O clube, inclusive, enfrenta cinco condenações na Fifa, uma delas já confirmada pela Corte Arbitral do Esporte (CAS).
Contratos considerados prejudiciais
A auditoria também analisou sete contratos firmados recentemente pelo clube e encontrou cláusulas que podem causar prejuízos significativos. Um dos exemplos é o acordo com a fornecedora de bebidas e alimentos da Neo Química Arena, que foi prorrogado de 2025 para 2030 poucos dias antes da saída de Augusto Melo. O documento é considerado “especialmente danoso” por limitar o potencial de lucro do Corinthians com a possível liberação da venda de bebidas alcoólicas em estádios paulistas.
Outro contrato em destaque é o do estacionamento da Neo Química Arena, administrado pela empresa Indigo desde 2018. O acordo prevê um faturamento mínimo mensal que, se não atingido, acumula para o mês seguinte — o que, segundo a EY, tornou-se inviável após o período da pandemia, deixando o clube sem receber valores há meses. A atual gestão já estuda rescindir o contrato, que tem validade até 2028, e negocia com uma nova empresa para assumir a operação.
Em uma verificação complementar, chamada de background check, a consultoria informou não ter identificado irregularidades ou beneficiários ocultos ligados ao clube nas empresas analisadas.
Posição oficial do Corinthians
Após a reunião, o Corinthians divulgou nota oficial confirmando o encontro e destacando que as informações apresentadas reforçam um quadro já conhecido pela diretoria:
“O Sport Club Corinthians Paulista informa que recebeu executivos da EY para apresentação do relatório de resultado da consultoria contratada pela gestão anterior. O relatório corrobora a situação financeira do clube sem apresentar fatos novos que a atual diretoria já não esteja tomando providências.”
O clube também ressaltou que os contratos avaliados e o próprio relatório da EY estão sob cláusula de confidencialidade.









