Crédito da Foto: AsCom/Dourado
A temporada 2025 do Cuiabá terminou com frustração para a torcida. O clube perdeu o Campeonato Mato-Grossense para o Primavera, foi eliminado logo na primeira fase da Copa do Brasil e não conseguiu se aproximar do acesso na Série B. O desempenho ficou muito abaixo do esperado e deixou evidente uma série de falhas que marcaram o ano.
Diversos fatores contribuíram para o rendimento abaixo da média. Entre os principais estão a ausência de liderança consistente, mudanças sucessivas na comissão técnica e dificuldades na formação de um elenco competitivo. Esses problemas, somados, comprometeram a performance do Dourado ao longo do calendário.
Falta de liderança interna e externa
Um dos pontos mais críticos do ano foi a falta de comando. O próprio presidente Cristiano Dresch reconheceu, em entrevista ao GE, que tomou decisões contrárias às suas convicções ao aprovar contratações que não se alinharam ao perfil ideal do clube. “Fui contra tudo o que sempre acreditei no futebol e percebi que não daria certo”, afirmou.
Dentro de campo, o cenário não foi diferente. A diretoria identificou carência de liderança no elenco, principalmente no início da temporada. Por essa razão, o clube antecipou o retorno do zagueiro Alan Empereur, então emprestado ao Mirassol, que reassumiu a braçadeira de capitão e trouxe a postura buscada pela diretoria. Contudo, uma lesão tirou o defensor da reta final da Série B.
Outros atletas esperados para assumir protagonismo, como Bruno Alves e o goleiro Mateus Pasinato, não conseguiram exercer esse papel — Pasinato, inclusive, ficou fora de boa parte do ano por lesão. A surpresa positiva foi Denilson, que adotou postura de liderança e ganhou destaque, embora isso não tenha sido suficiente para estabilizar o time.
Rotatividade no comando técnico
A troca constante de treinadores também impactou a consistência do Cuiabá. Três técnicos passaram pelo clube em 2025.
O primeiro deles, Bernardo Franco, já enfrentava pressão por uma sequência de dez jogos sem vitória na Série A de 2024. No estadual, ele comandou cinco partidas, com três vitórias e dois empates, mas acabou demitido após a eliminação precoce na Copa do Brasil para o Porto Velho, nos pênaltis.
Na sequência, assumiu Guto Ferreira, técnico experiente e conhecido por acessos na Série B. Ele conduziu o Cuiabá até a final do estadual, mas a perda do título aumentou as cobranças. Na Série B, somou nove vitórias, quatro empates e oito derrotas em 21 jogos, sendo demitido após sequência ruim fora de casa — pouco depois, conquistaria o acesso com o Remo.
O terceiro treinador foi Eduardo Barros, promovido após a saída de Guto. Em 17 partidas, somou cinco vitórias, oito empates e quatro derrotas. Apesar da oscilação e de entregar o time abaixo da posição inicial, foi mantido para 2026.
Dificuldades na construção do elenco
A montagem do elenco também foi um ponto sensível. Embora o grupo tenha deixado boa impressão no início do estadual, ao longo da temporada ficou evidente que o plantel não tinha profundidade suficiente.
Alguns jogadores perderam espaço ou deixaram o clube, como o atacante Pedrinho, desligado após polêmica, o meia Ruan Oliveira, pouco utilizado, e o lateral Léo Ataíde, que deixou de ser opção com Eduardo Barros.
Ao mesmo tempo, peças importantes só se firmaram no meio da temporada. Alisson Safira chegou na janela pré-Mundial de Clubes e virou referência ofensiva, enquanto o jovem David Miguel ganhou minutos na Série B e terminou o ano valorizado.
Um ano para aprender
A soma desses erros — de planejamento, liderança e montagem de elenco — comprometeu o desempenho esportivo do Cuiabá em 2025. Agora, a diretoria precisa analisar com cuidado tudo o que deu errado para reconstruir o projeto. A expectativa é de uma ampla reformulação e de uma retomada de identidade para que 2026 seja um ano de recuperação para o Dourado.









