Crédito da Foto: Rodrigo Peixoto/TV Brasil
Três nomes que ajudaram a escrever os primeiros capítulos do futebol feminino brasileiro compartilharam suas histórias de superação e conquistas durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil, exibido na última sexta-feira (26). As ex-jogadoras Marilza Martins da Silva, conhecida como Pelezinha, Marisa Pires, a Caju, e Márcia Matos, a Russa, relembraram os desafios enfrentados em uma época em que a modalidade ainda lutava por espaço e reconhecimento no país.
As atletas fizeram parte do histórico Esporte Clube Radar, equipe carioca que se tornou referência no desenvolvimento do futebol feminino após a regulamentação da modalidade em 1980. Antes disso, a prática havia sido proibida por décadas no Brasil, em consequência de um decreto editado durante o governo de Getúlio Vargas.
Fundado em Copacabana, no Rio de Janeiro, o Radar se transformou em uma das principais bases da Seleção Brasileira Feminina nos anos 1980. Sob a coordenação do empresário Eurico Lyra, o clube revelou talentos e abriu caminho para que diversas atletas pudessem representar o país internacionalmente.
Pelezinha recordou com emoção o momento em que recebeu a notícia de que viajaria para a China vestindo a camisa da Seleção Brasileira. Segundo ela, naquela época muitas jogadoras sequer imaginavam que poderiam disputar competições internacionais, já que o futebol feminino ainda dava seus primeiros passos no cenário esportivo nacional.
A ex-atleta também lembrou que o sonho de disputar um Mundial parecia distante, mas acabou se tornando realidade com a convocação para representar o Brasil em uma das primeiras competições internacionais da modalidade.
Primeira capitã da Seleção Brasileira Feminina, Marisa Pires destacou que o interesse do público pelo futebol feminino sempre existiu. Ela relembrou os estádios cheios durante competições realizadas na década de 1990 e afirmou que muitas pessoas compareciam para acompanhar o desempenho das atletas e conhecer melhor a modalidade.
Caju ressaltou ainda que as jogadoras daquela geração atuavam sem salários fixos e dependiam de premiações por resultados positivos. Mesmo diante das dificuldades, a paixão pelo esporte foi determinante para que o futebol feminino alcançasse o crescimento e a visibilidade observados atualmente.
Durante a entrevista, as ex-jogadoras também comentaram a recente sanção da lei que garante o pagamento de R$ 500 mil para as atletas que defenderam a Seleção Brasileira entre 1988 e 1991. O benefício também contempla familiares de esportistas que já faleceram.
Para Caju, o reconhecimento chega após décadas de espera e representa uma conquista histórica para toda uma geração de mulheres que ajudou a construir o futebol feminino no país. Pelezinha também celebrou a medida e afirmou que o apoio permitirá realizar sonhos que ficaram pelo caminho durante a carreira esportiva.
Márcia Matos, a Russa, destacou a importância do trabalho desenvolvido por Marileia dos Santos, conhecida como Michael Jackson, ex-jogadora e atual integrante do Ministério do Esporte. Segundo ela, o empenho nos bastidores foi fundamental para que o projeto avançasse e resultasse na aprovação da legislação.
Em meio a relatos emocionantes, as pioneiras reforçaram o orgulho de terem contribuído para a evolução da modalidade no Brasil. As histórias compartilhadas revelam a trajetória de mulheres que enfrentaram obstáculos, abriram caminhos para novas gerações e ajudaram a transformar o futebol feminino em uma referência de crescimento e representatividade no esporte nacional.









