Crédito da Foto: Marcelo Baseggio
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, e o gerente financeiro do clube, Roberto Gavioli, por apropriação indébita agravada continuada, lavagem de dinheiro e falsidade de documento tributário.
As acusações estão relacionadas ao uso indevido dos cartões corporativos do clube entre agosto de 2018 e dezembro de 2020, período correspondente ao último mandato de Sanchez.
Segundo o promotor Cássio Roberto Conserino, faturas analisadas nesse período revelaram gastos pessoais do ex-presidente em viagens a Fernando de Noronha e Pipa, joalherias, lojas de roupas, postos de combustíveis e hospitais, utilizando o cartão corporativo do clube.
“Após análise das faturas, constatamos que o cartão corporativo do Corinthians foi usado como se fosse particular. Andrés passou a dispor do cartão como se fosse dele, realizando inúmeras compras privadas, sem relação com atividades do clube”, afirmou Conserino.
O papel de Roberto Gavioli
Embora os gastos tenham sido realizados por Sanchez, Gavioli também foi denunciado por omissão, já que sua função era gerir as contas do clube, mas teria ignorado as despesas indevidas.
“O gerente financeiro tinha o dever jurídico de conferir notas fiscais, verificar a pertinência dos gastos e apresentar relatórios aos órgãos internos. Nada disso foi feito. Em interrogatório, ele alegou não ter dever de conferir, mas como remunerado pelo clube, sua omissão configura dolo”, explicou o promotor.
Conserino destacou ainda que Gavioli permitiu o parcelamento de faturas do cartão corporativo, mesmo sabendo que o Corinthians não tinha crédito, reforçando a suspeita de conivência.
Ressarcimento milionário
O MP-SP cobra R$ 480 mil de Andrés Sanchez, valor correspondente aos gastos indevidos com cartões corporativos, com correção monetária. Gavioli também é responsável por uma parcela menor. Além disso, ambos devem pagar R$ 360 mil cada por danos morais e materiais ao clube.
Entre os gastos questionados, estão R$ 33.793,92 em viagens ao Nordeste, incluindo Tibau do Sul (RN) e Fernando de Noronha, e mais de R$ 5 mil em joias adquiridas na HStern, cujo cartão era do Corinthians, mas a nota saiu em nome de Sanchez. Despesas em lojas de roupas, como Brooksfield, também chamaram atenção da promotoria.
Próximos passos no processo
A denúncia já foi enviada ao Judiciário. Caso seja aceita, os réus apresentarão respostas preliminares, e o juiz definirá audiência. Depois disso, as partes poderão se manifestar por escrito ou oralmente antes da sentença.
O MP-SP também investiga possíveis irregularidades nos mandatos de Duílio Monteiro Alves e Augusto Melo, anteriores a Sanchez. Novos interrogatórios, como o do ex-motorista Denilson Grilo, estão previstos para complementar a investigação.
“Agora vamos analisar as faturas dos mandatos anteriores e prosseguir com as investigações, iniciando pelos fatos mais recentes, de 2018”, afirmou Conserino.









