Crédito da Foto: Arquivo pessoal
Aos 42 anos, Luciléia — maior artilheira da história da Seleção Brasileira de futsal feminino — vive um momento especial ao disputar a primeira Copa do Mundo Feminina organizada pela FIFA com apoio oficial da CBF. Ícone da modalidade, ela carrega a camisa 10 e toda a bagagem construída em quase 20 anos de protagonismo nas quadras.
Com 91 gols em 81 jogos oficiais pela seleção, números reconhecidos pela CBF como referência histórica, Luciléia trilhou sua jornada desde a infância. Em Santo Ângelo (RS), improvisava traves com chinelos em um quarto vazio da casa da mãe para treinar, época em que o futsal oferecia pouco ou nenhum espaço para meninas. “Quase sempre treinava sozinha, não tinha outras meninas para jogar”, relembra.
A virada aconteceu na escola, quando passou a integrar a equipe feminina que chegou até a Taça Brasil, tradicional competição do calendário da CBF. O desempenho chamou a atenção do Kindermann-SC, referência na formação de atletas tanto no futsal quanto no futebol. No clube catarinense, acumulou conquistas e ganhou espaço na seleção principal.
Após seis anos, Luciléia seguiu para a Europa, onde construiu carreira sólida no Sinai, da Sardenha, apoiada pela convivência com outras brasileiras. Ainda assim, a saudade de casa sempre esteve presente. “O Brasil é minha casa. Sempre levo minha erva-mate, mas o chimarrão aqui tem outro sabor”, comenta.
Para a camisa 10, a Copa representa muito mais que uma competição. Ela simboliza a luta de várias gerações que batalharam para que o futsal feminino tivesse estrutura, reconhecimento e calendário oficial. “Esperamos muito tempo por isso. É um marco para a modalidade”, afirma.
Luciléia destaca também a força da equipe brasileira, conhecida pela técnica apurada e pelo histórico de conquistas em torneios da CBF e da Conmebol. No entanto, ela alerta para a importância do fator psicológico em torneios internacionais. “Com a bola no pé, somos uma das melhores seleções do mundo. Confio completamente nessas meninas.”
A participação no mundial, segundo ela, é uma vitória pessoal e coletiva. “Começamos enfrentando muitas dificuldades. Hoje, fico feliz em saber que as próximas gerações terão um futsal mais estruturado. Sempre foi uma história de luta”, finaliza.
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