Crédito da Foto: Gilvan de Souza / Flamengo
Na tarde desta quarta-feira (18), os 15 clubes da Libra se reuniram na sede do Flamengo, na Gávea, para uma assembleia histórica, marcada pelo primeiro encontro desde o episódio que levou o clube carioca a acionar a Justiça contra o modelo de divisão das receitas de transmissão.
O encontro foi interpretado como um gesto de reaproximação e um ensaio para a possível formação de uma liga única, com abertura de diálogo junto à FFU e à CBF.
Durante a reunião, foram escolhidos novos representantes: Luiz Eduardo Baptista (Flamengo) e Raul Aguirre (Bahia), com Harry Massis (São Paulo) e Odorico Roman (Grêmio) como suplentes. Embora a assembleia tenha sido suspensa para ser retomada em outra data, já foi apresentada uma nova proposta para tentar resolver o impasse financeiro.
A Libra foi criada para negociar coletivamente os direitos de transmissão de TV de parte dos clubes do Brasileirão, incluindo Palmeiras, Bragantino, São Paulo, Santos, Atlético-MG, Bahia, Grêmio, Vitória, Remo, Paysandu, Volta Redonda, ABC, Guarani, Sampaio Corrêa, Brusque e Flamengo.
O conflito começou quando o Flamengo obteve na Justiça uma liminar que bloqueava R$ 77 milhões da verba de transmissão, posteriormente reduzidos para R$ 1,6 milhão, referentes à parcela destinada ao clube. O Rubro-Negro questiona o critério de 30% da divisão baseado em audiência, alegando falta de detalhamento e aprovação unânime entre os clubes.
Como funciona a divisão
Igualitário (40%): repartido igualmente entre os clubes da Série A que integram a Libra.
Performance (30%): calculado conforme a posição final no Brasileirão.
Audiência (30%): baseado na audiência dos jogos, porém contestado pelo Flamengo.
O clube carioca afirma que o estatuto da Libra é omisso e que a aprovação da fórmula em 2024 não especifica a divisão por plataforma (TV aberta, fechada e PPV). Desde então, surgiram seis cenários diferentes para regulamentar o critério, sem consenso.
Escalada da crise
Em 2025, os pagamentos começaram a ocorrer com base no modelo defendido pela Libra, mesmo com voto contrário do Flamengo. O clube pediu acesso às gravações da assembleia e reforçou sua posição sobre falhas no estatuto. No final de 2025, a troca de notas oficiais entre os clubes intensificou a crise: a Libra acusou o Flamengo de “disseminar desinformação”, enquanto o Rubro-Negro reforçou que apenas buscava diálogo.
A assembleia desta quarta-feira representa um passo importante para destravar o impasse, com foco na revisão dos critérios de audiência e na conciliação de interesses, enquanto cresce a expectativa de consolidação de uma liga única do futebol brasileiro.









