Crédito da Foto: André Durão
O empresário John Textor formalizou nesta quarta-feira uma proposta para adquirir novamente o controle do Botafogo, buscando desvincular o clube da Eagle Football Holdings e da Ares Management, grupo de investimentos que hoje participa da estrutura societária da holding.
A iniciativa ocorre após declarações feitas no último sábado, após o empate com o Corinthians, quando Textor revelou publicamente o desejo de separar o Botafogo do Lyon, clube francês também gerido pela Eagle. A intenção é dar autonomia à SAF alvinegra, hoje atrelada financeiramente ao projeto europeu da holding.
O movimento de recompra ocorre em meio a disputas internas. Há cerca de duas semanas, representantes da Ares tentaram destituir Textor da gestão do Botafogo. Paralelamente, o empresário trava uma batalha com o fundo Iconic Sports pelo controle da Eagle. Ambos os fundos contribuíram com aportes financeiros expressivos na aquisição do Lyon.
Apesar de os valores da nova proposta estarem sob sigilo, é consenso nos bastidores de que o Botafogo está hoje mais valorizado do que os R$ 400 milhões pagos por Textor em 2022, quando adquiriu a SAF do clube.
Nas últimas semanas, Textor contratou uma auditoria para avaliar o valor de mercado do Botafogo. Além disso, consultores da Eagle foram levados ao Estádio Nilton Santos, onde acompanharam o jogo contra o Corinthians e tiveram acesso a dados financeiros e operacionais da SAF, em uma tentativa de demonstrar a solidez do clube carioca.
Em entrevista após o jogo, Textor defendeu a viabilidade econômica do Botafogo sem o apoio do Lyon:
— Quero deixar claro: o Botafogo tem gerado receitas significativas e, inclusive, está financiando operações deficitárias do Lyon. Muitos dizem que o Lyon sustenta o Botafogo, mas é o contrário. Ganhamos dinheiro com títulos, vendas de jogadores e gestão eficiente. Somos auditados por empresas de alto nível e estamos preparados para o IPO. Não há problema financeiro aqui. Quero apenas separar o Botafogo da parte europeia — declarou.
Apesar de ainda ser o principal acionista da Eagle Football, Textor trata a recompra com os representantes da Ares, pois usou as ações do Botafogo como garantia ao adquirir o Lyon. Na prática, é como se estivesse negociando consigo mesmo, mas, juridicamente, depende do aval dos investidores envolvidos.









