Crédito da Foto: Reprodução/Sportv via Estadão
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) determinou que o Internacional jogue com portões fechados no Campeonato Brasileiro Feminino até que o clube seja julgado por um ato de conotação racista ocorrido em sua partida contra o Sport. A decisão foi tomada após pedido da Procuradoria de Justiça Desportiva, que entrou com uma liminar sobre o caso.
O incidente
Na segunda-feira, durante o jogo entre Internacional e Sport, no estádio do Sesc Campestre, em Porto Alegre, um pedaço de banana foi arremessado na direção do banco de reservas da equipe pernambucana.
O ato ocorreu nos acréscimos do segundo tempo e foi imediatamente apontado pelas jogadoras do Sport, levando a arbitragem a recolher o objeto e relatar o caso na súmula.
O diretor de futebol feminino do Sport, Alessandro Rodrigues, registrou um boletim de ocorrência, e o clube repudiou o ato, classificando-o como "covarde e racista". A CBF também se manifestou, pedindo punição rigorosa para os responsáveis.
Decisão rápida e punição ao Inter
A Procuradoria do STJD levou o caso à presidência do tribunal, que, de forma preventiva, determinou que o Internacional atue sem torcida até o julgamento definitivo. O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, destacou a rapidez da decisão:
"O futebol brasileiro precisa agir com firmeza contra o racismo. Em menos de 12 horas, já temos uma medida preventiva, garantindo que o Internacional jogue sem torcida até que o caso seja analisado. A CBF sempre adotará uma postura firme nesses casos.”
Atleta identificada e desligada do clube
Após investigação interna, o Internacional identificou a autora do ato: uma jogadora da categoria de base do clube, de 18 anos, que teve seu contrato rescindido imediatamente.
O vice-presidente do Conselho de Gestão do Inter, Ivandro Morbach, enfatizou a postura do clube:
"O Internacional não tolera, relativiza ou normaliza episódios que ferem nossos valores. A atleta foi comunicada de seu desligamento e teve sua rescisão oficializada ainda nesta manhã."
Racismo no futebol em debate
O caso ocorre em meio a uma onda de discussões sobre racismo no futebol. Recentemente, o jogador Luighi, do Palmeiras, foi vítima de ofensas racistas na Libertadores Sub-20, no Paraguai.
O episódio gerou pressão sobre a Conmebol, que anunciou a criação de uma força-tarefa contra o racismo, com nomes como Ronaldo Fenômeno, Fatma Samoura (ex-secretária da FIFA) e Sergio Marchi (presidente da FIFPro).









