Crédito da Foto: Chico Ferreira
A arbitragem do futebol mato-grossense enfrenta uma situação delicada às vésperas do início da temporada de 2027. Sem regulamentação profissional no estado e sem vínculo empregatício com a Federação Mato-grossense de Futebol (FMF), árbitros e assistentes convivem com atrasos nos pagamentos, dificuldades para receber diárias e até a necessidade de bancar do próprio bolso os deslocamentos para trabalhar.
O cenário preocupa porque o Campeonato Mato-grossense de 2027 tem início previsto para 9 de janeiro. Caso as pendências financeiras não sejam resolvidas, o calendário da próxima temporada poderá enfrentar dificuldades, com risco de comprometimento das competições organizadas pela entidade.
A falta de recursos para quitar os compromissos com os profissionais é apontada como um dos principais problemas. Sem patrocinador para cobrir as despesas da arbitragem, a FMF acumula débitos com os integrantes de seu quadro, aumentando a insatisfação entre aqueles que atuam nas partidas.
Além das questões financeiras, os profissionais precisam lidar com condições de trabalho consideradas precárias em diferentes estádios, incluindo gramados esburacados, falta de segurança e vestiários vulneráveis. Também estão sujeitos a ofensas de torcedores, dirigentes e jogadores durante as partidas.
Dívida ultrapassa R$ 250 mil
Levantamentos divulgados pelo jornal A Gazeta apontam que a dívida da FMF com árbitros e assistentes supera R$ 250 mil. O montante está relacionado a mais de 250 partidas realizadas ao longo da temporada, cujas taxas de arbitragem e demais despesas ainda apresentam pendências de pagamento.
A situação é agravada pelos custos de deslocamento. Há anos, os profissionais antecipam recursos próprios para viajar entre municípios e, posteriormente, solicitam o reembolso à Federação. No entanto, segundo as informações divulgadas, a devolução dos valores não vem ocorrendo regularmente.
Os pagamentos por quilometragem também sofreram alterações. Anteriormente, um árbitro que utilizava o próprio veículo recebia R$ 1,80 por quilômetro rodado. A partir de julho de 2026, o valor foi reduzido para R$ 1,00 por quilômetro. Quando há mais profissionais viajando no mesmo carro, a taxa passa a R$ 1,50 por quilômetro.
Em um deslocamento entre Cuiabá e Sorriso, por exemplo, considerando um percurso de 860 quilômetros, o custo poderia chegar a R$ 1.548 com a tarifa anterior de R$ 1,80 por quilômetro. Com a redução, o valor correspondente ao mesmo percurso individual cai para R$ 860, sem considerar eventuais despesas adicionais.
O problema financeiro ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de que a FMF estaria inadimplente por não prestar contas de um convênio de R$ 400 mil firmado com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel). Conforme a reportagem de A Gazeta, a pendência comprometeria a obtenção de uma certidão negativa pela entidade.
Cinco árbitros deixaram o quadro em 2026
A insatisfação com os atrasos e as condições de trabalho já provocou baixas na arbitragem estadual. Ao longo de 2026, cinco profissionais solicitaram desligamento do quadro da Federação: Rodrigo Fonseca, Luiz Paulo de Moura Pinheiro, Geovanio de Lima, Jean Latorraca e Rafael Odilio.
Outros árbitros também demonstraram resistência em continuar trabalhando sem receber os valores devidos. Entre eles estão profissionais mais novos no quadro, como Luiz Paulo de Moura Pinheiro e Eleniel Benedito da Silva, que decidiram não seguir atuando diante das dificuldades relatadas.
A competição seletiva que encerra o calendário estadual em 10 de novembro não foi paralisada porque outros profissionais aceitaram continuar trabalhando, mesmo em meio à crise e à expectativa de receber posteriormente pelos serviços prestados.
O problema não é inédito. No ano passado, o presidente eleito da FMF, Diogo Pécora, já enfrentava dificuldades semelhantes relacionadas à arbitragem.
Quadro reduzido preocupa para 2027
Atualmente, a Federação conta com 26 árbitros e 19 assistentes para atender às diferentes competições oficiais. A equipe precisa se dividir entre o Campeonato Mato-grossense da primeira divisão, a Segunda Divisão estadual, o futebol feminino, as categorias de base e a Copa FMF.
A quantidade de profissionais disponíveis e as recentes saídas aumentam a preocupação com o planejamento da próxima temporada. Com o calendário de 2027 se aproximando, a regularização dos pagamentos e a manutenção de um quadro suficiente de árbitros e assistentes se tornam questões fundamentais para garantir a realização das partidas.
Valores da arbitragem estão definidos em portaria
A Portaria nº 025/2026, assinada por Diogo Pécora em 23 de julho deste ano, estabeleceu os valores das taxas de arbitragem e das diárias destinadas aos profissionais que atuam nas competições da FMF.
De acordo com o documento, os pagamentos por partida são distribuídos da seguinte forma:
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Árbitro principal: R$ 300;
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Cada árbitro assistente: R$ 180;
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Quarto árbitro: R$ 150;
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Supervisor de jogo: R$ 100.
Somados, os valores totalizam R$ 730 por partida, considerando um árbitro principal, dois assistentes, um quarto árbitro e um supervisor.
As diárias para hospedagem e alimentação variam de R$ 100 a R$ 390, conforme a distância e as necessidades de deslocamento.
Com uma dívida superior a R$ 250 mil, profissionais deixando o quadro e despesas de viagens sem reembolso regular, a arbitragem mato-grossense chega ao fim de 2026 sob pressão. A regularização dos compromissos financeiros e a adoção de medidas para melhorar as condições de trabalho serão determinantes para reduzir o risco de novos desligamentos e evitar que a crise comprometa o Campeonato Mato-grossense de 2027.









