Crédito da Foto: Rodrigo coca/Agência Corinthians
A negociação para a renovação de Memphis Depay no Corinthians ultrapassou os limites do campo e passou a gerar tensão nos bastidores do clube. Com o contrato encerrado em 31 de julho, a permanência do atacante holandês tornou-se um dos assuntos mais delicados para a atual gestão de Osmar Stábile, que deve disputar a reeleição em novembro.
Dentro do Parque São Jorge, existem grupos que são contrários à continuidade do jogador. Entre eles estão integrantes que anteriormente apoiavam a gestão de Stábile. Parte dos conselheiros considera que um novo vínculo representaria mais um risco financeiro para o Corinthians, enquanto outros criticam a postura pública do atacante e suas declarações sobre a administração do clube.
O Movimento Corinthians Grande, conhecido como Chapa 82, é um dos grupos que se posicionam contra a renovação. O vice-presidente Armando Mendonça integra a corrente, que já indicou que não pretende apoiar Stábile no próximo processo eleitoral. O grupo esteve ao lado do presidente após o impeachment de Augusto Melo, mas acabou se afastando posteriormente.
A resistência também aparece no departamento jurídico do Corinthians, comandado por Pedro Luis Soares. O dirigente não estaria convencido de que a renovação de Memphis seja a melhor alternativa para o clube e é apontado como um dos nomes que buscam construir uma candidatura para a eleição de novembro.
Por outro lado, o departamento financeiro avalia que a permanência do holandês pode representar uma alternativa para aliviar as contas do Corinthians. André Lavieri, gerente da área, teria dado aval para que Stábile conduzisse as conversas.
A avaliação financeira considera que um novo contrato permitiria alongar uma dívida de aproximadamente R$ 42 milhões relacionada ao jogador, proporcionando maior fôlego financeiro ao clube no curto prazo.
Além disso, existe preocupação com as consequências de uma eventual saída. Caso o Corinthians não renove o contrato, Memphis poderia recorrer à Fifa para cobrar os valores que entende ter direito. Com juros, a cobrança poderia chegar a aproximadamente R$ 77 milhões.
Apesar da pressão política, a permanência de Memphis também é vista como uma possível alternativa para melhorar a imagem da atual administração diante da torcida. Punido com transfer ban e impedido de contratar novos reforços neste momento, o Corinthians vê no atacante uma das principais peças disponíveis para fortalecer o elenco.
As negociações, porém, ainda aguardam a conclusão dos últimos detalhes. O estafe de Memphis espera uma definição da diretoria. As partes teriam chegado a um entendimento há cerca de duas semanas, e o jogador retornou ao Brasil após passar férias na Espanha para avançar nas tratativas.
A expectativa é que o novo contrato tenha duração até 2028, com possibilidade de extensão por mais uma temporada. O acordo prevê salário mensal de aproximadamente R$ 1,9 milhão, abaixo dos cerca de R$ 3,5 milhões pagos ao jogador no vínculo anterior.
A eliminação do Corinthians para o Internacional nas oitavas de final da Copa do Brasil também pode acelerar a definição. Internamente, existe a avaliação de que Memphis poderia ter ajudado a equipe no confronto.
Agora, com a proximidade das oitavas de final da Libertadores, a comissão técnica trabalha para contar com o atacante no duelo contra o Rosario Central, marcado para quinta-feira (13), na Argentina.









