Crédito da Foto: FMF/TV
O confronto de ida da semifinal do Campeonato Mato-Grossense entre Sport Sinop e Luverdense Esporte Clube, disputado neste domingo no Estádio Gigante do Norte, terminou com vitória do time visitante por 1 a 0. Além do resultado, a partida ficou marcada por um tumulto envolvendo o capitão da equipe da casa, Fransérgio, e torcedores.
O jogador, de 35 anos, se envolveu em discussões ainda no intervalo e, após o apito final, voltou a trocar ofensas com pessoas próximas ao alambrado. Imagens que circularam nas redes sociais mostram o momento em que o atleta se dirige à grade, em meio a um princípio de confusão.
De acordo com o próprio Fransérgio, o episódio teria começado após provocações direcionadas à sua família, especialmente ao seu filho, que é autista. Na manhã seguinte ao jogo, o meia publicou uma nota oficial explicando sua versão dos fatos. O atleta tem passagens por clubes como Bordeaux, Braga, Athletico e Coritiba ao longo da carreira.
A diretoria do Sport Sinop também se posicionou. Em contato com a imprensa, o clube informou que o filho do jogador teria sido empurrado por uma torcedora e por um acompanhante nas arquibancadas, o que gerou um desentendimento envolvendo a esposa do atleta.
Em nota, o clube destacou que não aprova a atitude do capitão enquanto profissional, mas reconheceu o caráter emocional da reação diante da situação envolvendo seu filho. A agremiação afirmou ainda que não houve ataque direcionado à torcida de forma geral, e que o episódio foi pontual.
O Sport Sinop declarou solidariedade a Fransérgio e sua família, colocando-se à disposição para prestar apoio e reforçando o compromisso com respeito, inclusão e segurança nos estádios.
Jogo de volta
A partida decisiva da semifinal será disputada no próximo domingo, às 17h, no Estádio Passo das Emas, em Lucas do Rio Verde. O vencedor do confronto enfrentará Mixto Esporte Clube ou Operário Futebol Clube na final do estadual.
Nota oficial de Fransérgio na íntegra
"A confusão começou, supostamente, por um lugar na arquibancada onde estavam minha esposa e meus filhos. Uma mulher chegou, afastou os calçados de crianças — havia duas crianças ali — e simplesmente sentou. Meu filho já estava sentado quando ela chegou. Em seguida, ela segurou e empurrou as pernas do Pedro para colocar o filho dela ao seu lado.
Minha esposa questionou: “Moça, você sentou no lugar de duas crianças, tem gente aí”… Ela fingiu que nada estava acontecendo. Mesmo assim, empurrou novamente as pernas do Pedro. Minha esposa voltou a falar: “Moça, meu filho está atrás de você, você empurrou as pernas dele, e ele é uma criança autista”. Ela respondeu: “E daí que ele é autista? A culpa é sua por ele ser autista. Você está usando ele como vitimismo.”
Diante disso, essa mulher a agarrou com força, deixando marcas na mão da minha esposa, que reagiu segurando o pescoço dela e pedindo: “Me solta, você está me machucando”.
Não houve agressão ao meu filho. Minha esposa não apanhou nem bateu, apenas se defendeu.
Hoje, essa mulher deixou marcas na minha esposa, na minha filha — que chorava ao lado — e deixou marcas no meu filho. Ele não tem culpa. Como ela mesma disse: “E daí que ele é autista?” Inclusão e respeito aos limites são dever de todos.
Minha esposa procurou ajuda do senhor Presidente que resolveu a situação.
No intervalo, alguns torcedores me insultaram, ofendendo diretamente meu filho. Ao final do jogo, fui apenas buscar meu filho para ir ao vestiário com nossas famílias, mas a torcida voltou a nos insultar.
Peço desculpas em público ao estádio inteiro pelo Sport Sinop.
Mas ouvir ofensas ao meu filho com TEA é algo que não posso aceitar.
Vocês podem me criticar em campo, mas fora dele, sou pai de família e humano.
O jogo ainda não acabou. Temos mais 90 minutos para reverter a situação.
Obrigado a todos que compreenderam.
Peço respeito ao meu filho. Vocês não sabem a luta diária que enfrentamos. Não sabem."









