Crédito da Foto: Arquivo/Assessoria
A arbitragem do futebol mato-grossense vive um momento de tensão por causa dos atrasos nos pagamentos devidos pela Federação Mato-grossense de Futebol (FMF). Diante da situação, o Sindicato dos Árbitros de Futebol de Mato Grosso (Sindamat) realizará uma reunião por teleconferência nesta segunda-feira (2), feriado, para discutir as medidas que serão adotadas pela categoria.
A discussão ocorre após denúncias publicadas pelo jornal A Gazeta, que apontam pendências financeiras da entidade com os profissionais responsáveis pela arbitragem das competições estaduais.
Segundo informações divulgadas pelo jornal, árbitros que trabalham em torneios regionais de diferentes categorias estão sem receber taxas de arbitragem, diárias e despesas de deslocamento desde julho. O débito acumulado ultrapassaria R$ 250 mil.
Outro problema apontado envolve a prestação de contas de um convênio de R$ 400 mil firmado com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT). O recurso foi destinado justamente ao custeio da arbitragem, mas a FMF estaria inadimplente na apresentação da documentação exigida.
A situação também teria impedido a federação de obter certidão negativa de débitos, documento necessário para a formalização de novas parcerias que envolvam recursos públicos.
Árbitros relatam ameaças e afastamentos
Além das pendências financeiras, a categoria também denuncia possíveis represálias contra profissionais que cobram os valores atrasados.
De acordo com uma fonte ouvida por A Gazeta, árbitros que procuraram a federação para exigir os pagamentos estariam sofrendo ameaças de exclusão do quadro e sendo retirados das escalas de arbitragem.
Enquanto parte dos profissionais teria deixado de atuar em protesto contra a situação, outros continuam trabalhando normalmente, o que também tem provocado divergências internas entre os integrantes da categoria.
Depois da reunião desta segunda-feira, os representantes do sindicato pretendem procurar o presidente da FMF, Diogo Pécora, para cobrar esclarecimentos e uma solução para o impasse.
Campeonato Mato-grossense de 2027 pode ser afetado
Uma das possibilidades discutidas é a paralisação dos árbitros, cenário que poderia comprometer o calendário do futebol estadual.
O Campeonato Mato-grossense de 2027 está previsto para começar em 9 de janeiro, mas uma eventual mobilização geral da arbitragem colocaria em risco a realização das primeiras rodadas.
Caso não haja acordo com os profissionais locais, a FMF teria como alternativa buscar árbitros de outros estados. A medida, entretanto, elevaria os custos operacionais, devido às despesas com passagens, hospedagem, alimentação e valores das taxas de arbitragem.
Atualmente, o quadro da federação contava com 26 árbitros e 19 assistentes. Somente em 2026, cinco profissionais já solicitaram desligamento: Rodrigo Fonseca, Luiz Paulo de Moura Pinheiro, Geovanio de Lima, Jean Latorraca e Rafael Odilio.
Competições ainda estão em andamento
O impasse acontece em meio à reta final do calendário estadual. Ainda estão sendo disputados o Campeonato Mato-grossense Feminino, competições das categorias de base e a Copa FMF, que tem encerramento previsto para o próximo dia 10.
Os valores pendentes envolvem diferentes funções da equipe de arbitragem. A taxa estabelecida por partida é de R$ 300 para o árbitro principal, R$ 180 para cada assistente, R$ 150 para o quarto árbitro e R$ 100 para o supervisor de jogo, totalizando R$ 730 por confronto.
Além dessas quantias, existem despesas com diárias de hospedagem e alimentação, que variam de R$ 100, para deslocamentos mais curtos, a R$ 390, para localidades mais distantes.
Também há valores referentes à utilização de veículos particulares dos árbitros para viagens, que, conforme as denúncias, igualmente estariam em atraso.
A reunião do Sindamat nesta segunda-feira será importante para definir o posicionamento da categoria e os próximos passos da negociação com a FMF. A falta de entendimento poderá provocar consequências diretas no planejamento da próxima temporada do futebol mato-grossense.
Texto elaborado com base nas informações fornecidas, incluindo denúncias atribuídas ao jornal A Gazeta. As alegações não representam confirmação independente das irregularidades mencionadas.









