Crédito da Foto: Reprodução Twitter/Guerreiras Grenás
Segundo a nota de repúdio emitida pelo clube paulista, Ariane Patrícia, que também é coordenadora do departamento médico e de fisioterapia da equipe, foi alvo de "comentários indesejados" por parte de membros uniformizados do Real Brasília, que não foram identificados. A situação foi reportada por uma atleta e pela própria vítima à árbitra Luciana Mafra Leite, que registrou o ocorrido na súmula do jogo.
O clube manifestou sua indignação afirmando ser inaceitável que uma profissional seja alvo de violência em seu ambiente de trabalho. O relato descreve que os comentários ocorreram enquanto a fisioterapeuta prestava atendimento médico à goleira da Ferroviária no campo, momento em que membros da equipe adversária fizeram observações inadequadas sobre sua aparência física.
A árbitra Luciana Leite, em seu relatório oficial da partida, mencionou que Ariane Patrícia e outra atleta se aproximaram para relatar o assédio sofrido durante o jogo.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informou que, após receber a súmula com o registro do incidente, encaminhou o caso ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para as medidas cabíveis no âmbito esportivo.
Por sua vez, o Real Brasília emitiu uma nota oficial rebatendo a denúncia feita pelo clube paulista, após realizar investigações internas e analisar os vídeos da partida, afirmando que as informações divulgadas são falsas e levianas.
Nota da CBF na íntegra
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no limite das suas atribuições e diante dos fatos ocorridos na partida entre Ferroviária e Real Brasília, no último dia 19/03, quando a fisioterapeuta Ariane Falavinia, da Ferroviária, foi vítima de importunação sexual por parte de membros uniformizados da comissão técnica do Real Brasília, vem a público informar que a entidade imediatamente após receber a súmula do jogo com o registro deste ato de violência, encaminhou ao STJD para a adoção das medidas cabíveis na esfera desportiva, sem prejuízo de outras ações.
É premissa da CBF trabalhar em estreita colaboração com as autoridades competentes, apoiando nas investigações para garantir que todo o tipo de violência e discriminação seja punido nos rigores da lei. É inadmissível que em pleno século 21 as mulheres permaneçam alvo de atos criminosos como este.
Desde o início da atual gestão – quando lançou o Manifesto a favor da vida e do futebol brasileiro -, a CBF vem liderando o debate e buscando a criação de medidas efetivas junto ao Poder Público com a celebração de parcerias.
Dentre os acordos firmados e campanhas para erradicar todo e qualquer ato de violência do Futebol Brasileiro, do desporto em geral, a CBF destaca o acordo de cooperação “Projeto Estádio Seguro”, celebrado com os Ministérios da Justiça e Segurança Pública e do Esporte, e o acordo de cooperação com os Ministérios dos Direitos Humanos e Cidadania, da Igualdade Racial e do Esporte, para o combate ao racismo e a toda e qualquer violação de direitos nos estádios brasileiros, bem como ações de divulgação do Disque 100, serviço de utilidade pública para denunciar estas violações de Direitos Humanos.
Esta atuação da CBF em conjunto com o Poder Público é fundamental para que episódios criminosos de violência, assédio e racismo sejam banidos em definitivo do cenário do futebol brasileiro.
A CBF se solidariza com a profissional Ariane Falavinia, que também atua como fisioterapeuta da Seleção Brasileira Feminina Sub-20. E reafirma seu compromisso de combater de forma firme e incessante toda e qualquer forma de violência e discriminação e de violação de direitos no futebol brasileiro.









