Crédito da Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Um estudo publicado recentemente no British Medical Journal trouxe novos dados sobre os efeitos dos impactos na cabeça sofridos por jogadores de futebol americano. A pesquisa estima que pelo menos 25% dos atletas da NFL que morreram entre 2016 e 2021 apresentavam encefalopatia traumática crônica (ETC).
O levantamento foi conduzido por pesquisadores da Mass General Brigham, da Universidade de Boston e da Concussion & CTE Foundation. Para chegar aos resultados, foram analisadas amostras de cérebros doadas entre 2008 e 2021.
Como a ETC somente pode ser diagnosticada após a morte, os cientistas utilizaram os cérebros de ex-jogadores para desenvolver um modelo capaz de estimar a presença da doença entre atletas que passaram pela principal liga de futebol americano dos Estados Unidos.
A análise levou em consideração o período em que houve maior volume de doações, características demográficas dos atletas e informações registradas nas certidões de óbito.
Com esses dados, os pesquisadores estimaram que pelo menos 25% dos 878 jogadores que disputaram ao menos uma partida da NFL e morreram entre 2016 e 2021 tinham ETC.
O percentual, entretanto, representa apenas o limite inferior da estimativa. Segundo Daniel Daneshvar, principal autor do trabalho, o modelo indicou que a prevalência máxima poderia chegar a aproximadamente 97%. A taxa verdadeira, portanto, estaria em algum ponto entre os dois extremos.
Impactos na cabeça são motivo de preocupação
O futebol americano é marcado pelo contato físico intenso e pela ocorrência frequente de impactos na cabeça. Nos últimos anos, as consequências dessas lesões passaram a receber ainda mais atenção dentro e fora da NFL.
Um dos casos recentes que reacendeu o debate envolve Tua Tagovailoa, ex-quarterback do Miami Dolphins e atualmente jogador do Atlanta Falcons. O atleta sofreu três concussões durante sua passagem pela NFL, sendo duas em 2022 e outra em 2024.
Mesmo ainda em atividade, Tagovailoa se tornou um dos exemplos mais conhecidos na discussão sobre os possíveis efeitos dos impactos repetidos na cabeça ao longo da carreira.
Pesquisa relaciona impactos acumulados à ETC
Outro estudo, publicado em junho de 2023 na revista Nature Communications, também investigou a relação entre os impactos sofridos durante a carreira e a encefalopatia traumática crônica.
Os pesquisadores combinaram informações obtidas por sensores instalados em capacetes com análises de cérebros doados por ex-jogadores.
Os resultados apontaram uma associação entre a quantidade e a intensidade dos impactos acumulados na cabeça ao longo da carreira e a presença de ETC nos ex-atletas.
Os novos dados ampliam a discussão sobre os efeitos de longo prazo dos traumas sofridos no futebol americano e reforçam a importância de pesquisas sobre segurança e saúde dos jogadores.









