O presidente afastado da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues, enfrentou mais um revés na justiça nesta quarta-feira. Seu recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) foi negado, mantendo-o afastado da liderança da entidade. Com a decisão, a expectativa é que uma nova eleição seja convocada nos próximos 30 dias.
A presidente do STJ, Maria Thereza de Assis Moura, não reconheceu o mérito do recurso, rejeitando a tentativa de Ednaldo de reverter a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), proferida na semana anterior. Maria Thereza destacou que, em casos similares, rejeitou recursos considerando-os apropriados apenas para entidades de direito público, enquanto a CBF é uma entidade de direito privado.
No recurso apresentado na segunda-feira, os advogados de Ednaldo argumentaram que a decisão do TJ-RJ colocava em risco a "organização do futebol e sua cadeia econômica", além do potencial de suspensão da entidade pela FIFA, o que impediria a participação da seleção brasileira e dos clubes em competições internacionais.
José Eduardo Cardozo, um dos advogados de Ednaldo e ex-ministro da Justiça, também atuou na defesa. Com a decisão do STJ, permanece em vigor a decisão do TJ-RJ que destituiu Ednaldo em decorrência da anulação de assembleias da CBF, incluindo aquela que o elegeu como presidente. A Justiça também determinou que José Perdiz de Jesus atue como interventor na entidade até a convocação de novas eleições.
Na terça-feira, José Perdiz formalizou o compromisso de ser o interventor da CBF. Com essa função, ele tem 30 dias úteis para organizar as eleições na entidade.
Entenda o Caso
O processo que resultou no afastamento de Ednaldo do comando da CBF tratou da legalidade de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre a CBF e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) em março de 2022. O TAC possibilitou a eleição de Ednaldo como presidente da Assembleia Geral da entidade. Na semana passada, desembargadores do TJ-RJ consideraram o TAC nulo, anulando também a eleição.
A FIFA, em resposta a consultas da CBF, alertou que a entidade poderia ser suspensa caso Ednaldo Rodrigues fosse afastado "por influência indevida de terceiros". A organização máxima do futebol mundial destacou a necessidade de as associações membros gerirem seus assuntos de forma independente, conforme os estatutos da FIFA.









