A defesa de Ednaldo Rodrigues, presidente afastado da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), protocolou um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) nesta segunda-feira, dia 11, contestando a decisão judicial que o destituiu do cargo.
Os advogados argumentam que a medida coloca em risco a "organização do futebol e sua cadeia econômica", além de apontarem o perigo de a entidade ser suspensa pela Fifa, o que poderia impedir a participação da seleção brasileira e dos clubes em competições internacionais.
A remoção de Ednaldo Rodrigues do cargo ocorreu na quinta-feira, dia 7, após a anulação de diversas assembleias da entidade, incluindo a que elegeu o dirigente baiano. A Justiça determinou ainda que o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), José Perdiz, atue como interventor na CBF até a convocação de novas eleições.
A defesa de Ednaldo solicita ao STJ que, caso o recurso não seja aceito, ele permaneça na função para convocar um novo pleito em até 30 dias, prazo que se encerraria em janeiro.
A repercussão imediata desse episódio envolve a possível influência no acordo para a contratação do treinador Carlo Ancelotti para a seleção brasileira. Ednaldo havia encaminhado a contratação do treinador do Real Madrid para junho de 2024, e sem sua presença no cargo, o negócio poderia ser desfeito. Ancelotti ainda não se pronunciou de forma clara sobre o assunto.
A decisão judicial que levou à remoção de Ednaldo tratou da legalidade de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a CBF e o Ministério Público do Rio de Janeiro em março de 2022.
Na época, o TAC permitiu a eleição de Ednaldo como presidente da entidade. Contudo, a Justiça considerou que o MP não deveria ter ajuizado uma Ação Civil Pública contra as eleições realizadas pela CBF em 2017, ano em que Rogério Caboclo foi eleito.
Essa revisão foi solicitada por dois ex-presidentes da CBF, Ricardo Teixeira e Marco Polo del Nero, levando à anulação do TAC. O episódio gerou também uma notificação da Fifa à CBF, alertando que a entidade brasileira poderia ser suspensa caso Ednaldo fosse afastado "por influência indevida de terceiros".









