Crédito da Foto: Arquivo / Assessoria
A Corrida de Reis teve sua largada inicial em 6 de janeiro de 1985, um domingo que marcou o nascimento de uma das provas mais tradicionais do atletismo mato-grossense. Desde então, há 41 anos, a competição abre oficialmente o calendário esportivo do Estado. Em 2026, porém, a corrida passa por uma mudança significativa que altera parte de sua identidade: pela primeira vez, o percurso não será disputado pelas principais ruas e avenidas de Cuiabá, mas dentro do Parque Novo Mato Grosso, na saída para Chapada dos Guimarães.
A tradicional prova, promovida pela TV Centro América, construiu ao longo de mais de quatro décadas uma história de prestígio, projeção internacional e grandes campeões. O TBT do PNB desta quinta-feira resgata momentos marcantes dessa trajetória, que ajudou a consolidar a Corrida de Reis como uma das principais corridas de rua do país.
Origem e primeiros passos
A estreia da Corrida de Reis aconteceu justamente no Dia de Reis, em 1985, reunindo cerca de 1.300 atletas. O percurso inaugural teve início no Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, e terminou sob o viaduto da Avenida Historiador Rubens de Mendonça (CPA), em Cuiabá. Na época, os competidores enfrentaram um trajeto de nove quilômetros.
Com o crescimento urbano de Cuiabá e Várzea Grande, o percurso da prova passou por diversas adaptações. Durante muitos anos, a largada ocorreu na Avenida Arthur Bernardes, com chegada na Rua Marechal Deodoro, em frente à sede da TV Centro América. Nesse período, a temida subida da Avenida Mato Grosso, já no trecho final, era considerada um dos maiores desafios da corrida.
Outro trajeto que ficou marcado na memória de atletas e torcedores foi o adotado a partir de 2009, com largada na Ponte Sérgio Motta, em Várzea Grande, e chegada na Praça das Bandeiras, em Cuiabá, um dos cenários mais emblemáticos da história da prova.
Consolidação e domínio africano
Às vésperas da primeira edição, uma reportagem do Jornal do Dia já projetava um futuro promissor para a competição, prevendo a presença de atletas renomados do Brasil e do exterior. A previsão se confirmou com o passar dos anos, especialmente com a chegada de corredores africanos, que passaram a dominar o pódio.
Entre 1985 e 2003, apenas atletas brasileiros venceram a prova masculina. A hegemonia foi quebrada em 2004, com a vitória do queniano Benson Cherono. Após um breve retorno brasileiro, o domínio africano se consolidou a partir de 2009, com exceção de 2017, quando Giovani dos Santos venceu a disputa. Desde então, atletas do Quênia, Tanzânia e Uganda passaram a figurar com frequência no topo do pódio.
O atual recorde da prova pertence ao ugandense Maxwell Kortek Rotich, que completou os 10 quilômetros em 28 minutos e 54 segundos, na edição de 2022.
Campeões históricos
O primeiro vencedor da Corrida de Reis foi Juarez Sabino, da Associação Atlética Uirapuru, da Universidade Federal de Mato Grosso, confirmando o favoritismo da equipe naquela edição inaugural.
Na categoria masculina, três atletas dividem o posto de maiores campeões da história, com quatro títulos cada: Amauri Ribeiro (1987, 1988, 1990 e 1991), Daniel Lopes (1996, 2000, 2001 e 2003) e o queniano Edwin Kipsang Rotich (2013, 2014, 2016 e 2018).
Entre as mulheres, o grande destaque é Nadir Sabino, pentacampeã da prova, com vitórias em 1989, 1990, 1992, 1996 e 2005.
Novo percurso e críticas
A edição de 2026 marca uma ruptura com a tradição das ruas. Pela primeira vez, a Corrida de Reis será realizada no Parque Novo Mato Grosso, decisão que gerou críticas de atletas e do público. A organização justificou a mudança devido às obras do BRT na região central de Cuiabá, que inviabilizariam o percurso tradicional.
A prova acontece neste domingo, 11 de janeiro, com expectativa de reunir cerca de 15 mil atletas. A largada das categorias especiais está marcada para 6h30, seguida pelo pelotão de elite feminino, às 6h45. Às 7h, largam os atletas da elite masculina, juntamente com as categorias VIP e Geral.









