Crédito da Foto: Marcos Ribolli
O Corinthians protocolou na Justiça um novo plano de pagamento para parte de suas dívidas, como parte do processo para adesão ao Regime Centralizado de Execuções (RCE). O clube tenta desde o ano passado ser incluído nesse mecanismo jurídico, que visa proteger as finanças de bloqueios judiciais e oferecer maior previsibilidade econômica.
Na proposta inicial, o clube previa o parcelamento de R$ 367 milhões ao longo de dez anos. No entanto, após análise do administrador judicial, o valor reconhecido foi de R$ 190 milhões — referentes a compromissos com fornecedores, empresários e atletas (especialmente em direitos de imagem). Essa cifra não contempla dívidas tributárias nem o financiamento da Neo Química Arena junto à Caixa Econômica Federal.
Na primeira tentativa, o Corinthians propôs destinar 4% de suas receitas recorrentes (como cotas de TV e patrocínios) para os credores incluídos no RCE. A sugestão foi rejeitada, já que os credores esperavam um repasse de até 20%, valor que o clube considerou inviável.
Agora, o clube reformulou o plano e propôs um modelo escalonado de pagamento:
Receitas recorrentes: 4% no primeiro ano, 5% no segundo e 6% a partir do terceiro ano.
Receitas com venda de jogadores: 5% no primeiro ano, 6,5% no segundo e 8% a partir do terceiro ano.
O novo plano também prevê benefícios para dois tipos de credores:
Credores parceiros: aqueles que continuarem prestando serviços ou fornecendo produtos ao clube após a adesão ao RCE. Terão direito a 35% da receita destinada ao pagamento.
Credores preferenciais: grupo formado por idosos, gestantes, pessoas com doenças graves, entre outros, que receberiam 25% dos valores mensais.
Em um exemplo apresentado pelo próprio Corinthians, considerando o repasse mensal de R$ 3 milhões, os valores seriam distribuídos proporcionalmente entre credores ordinários, parceiros e preferenciais.
As dívidas serão corrigidas monetariamente: credores ordinários, preferenciais e parceiros com base na taxa Selic, e credores aderentes ao plano com base no IPCA.
O clube ainda aguarda a aprovação judicial para que o novo plano entre em vigor. A diretoria alvinegra acredita que a adesão ao RCE é fundamental para superar os bloqueios judiciais recorrentes em suas contas e representa um avanço na reestruturação financeira do Corinthians.
Paralelamente, o clube firmou um acordo com a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), vinculada à CBF, para quitar cerca de R$ 76 milhões em dívidas com outros clubes, atletas e empresários. No entanto, a primeira parcela do acordo, que venceu na semana passada, ainda não foi quitada.









