Crédito da Foto: Luiza Sá
A Confederação Brasileira de Futebol está empenhada em combater a cultura de acusações de “roubo” no futebol brasileiro. A proposta da entidade é endurecer as punições contra jogadores, treinadores e dirigentes que façam declarações públicas questionando a integridade da arbitragem.
O tema foi debatido recentemente em uma palestra promovida pela CBF para clubes das Séries A e B, dentro das discussões sobre a criação de uma liga única no país. A expectativa é que as novas diretrizes já passem a valer ainda durante a atual edição do Campeonato Brasileiro, com aplicação pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva.
A entidade defende que os investimentos na arbitragem — incluindo profissionalização e uso de tecnologias como o impedimento semiautomático — precisam ser acompanhados por mudanças de comportamento dentro e fora de campo.
Além disso, a CBF também cobra uma atuação mais firme dos árbitros em relação à disciplina durante as partidas, com o objetivo de reduzir paralisações e reclamações excessivas. Atualmente, o futebol brasileiro apresenta maior índice de reclamações em comparação com ligas europeias como a inglesa, espanhola e alemã.
Nesta quinta-feira, o STJD realiza o 2º Encontro Nacional dos Tribunais de Justiça Desportiva, na sede da CBF, no Rio de Janeiro, onde deve reforçar a orientação para coibir acusações contra a arbitragem. A própria corte reconhece que, muitas vezes, esse tipo de comportamento não é punido de forma adequada, por ser tratado como algo cultural no ambiente do futebol.
A proposta é estabelecer critérios mais rígidos e padronizados para essas situações. A ideia prevê que quanto maior a responsabilidade do envolvido, mais severa deve ser a punição: jogadores seriam penalizados, mas técnicos e, principalmente, dirigentes podem sofrer sanções ainda mais duras ao fazerem acusações.
Outro ponto em discussão é a agilidade nos julgamentos. Os árbitros estão sendo orientados a enviar as súmulas com mais rapidez, permitindo que os processos tramitem de forma mais eficiente nas diferentes instâncias do STJD.
As punições devem seguir o que determina o Código Brasileiro de Justiça Desportiva, especialmente o artigo 258, que trata de condutas contrárias à ética esportiva, e o artigo 243-F, que aborda ofensas à honra relacionadas ao jogo.
Com essas medidas, a CBF e o STJD buscam promover um ambiente mais respeitoso e profissional no futebol brasileiro, reduzindo conflitos e valorizando o trabalho da arbitragem.









