Crédito da Foto: Divulgação/Fifa
Os estreantes prometem roubar a cena no sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2026, marcado para esta sexta-feira (5), em Washington, D.C. O evento acontece em meio a preocupações com o calor intenso, o bem-estar dos atletas e os desafios logísticos de organizar o maior Mundial da história em três países durante o verão norte-americano.
Será a primeira edição com 48 seleções, distribuídas em 12 grupos de quatro equipes. O torneio terá 104 partidas espalhadas por 16 cidades-sede nos Estados Unidos, Canadá e México, consolidando a maior expansão da competição desde sua criação.
A Fifa celebra o novo formato como um marco de inclusão. A ampliação abriu espaço para seleções que nunca haviam chegado ao Mundial, como Cabo Verde, Uzbequistão, Jordânia e Curaçao — esta última, com apenas 150 mil habitantes, será a menor nação a disputar uma Copa. Países como o Haiti retornam após longas ausências, enquanto a Itália ainda depende de uma repescagem para tentar evitar um terceiro fracasso consecutivo.
Calor extremo como protagonista
Com a competição acontecendo no auge do verão, as condições climáticas passaram a ser uma das principais preocupações. Em boa parte das cidades-sede norte-americanas, temperaturas acima dos 30 °C e altos índices de umidade são comuns entre junho e julho. A recente Copa do Mundo de Clubes nos EUA já havia servido de alerta: o calor foi tema constante entre jogadores e comissões técnicas.
Especialistas e sindicatos temem riscos de estresse térmico, desidratação e menor tempo de recuperação, principalmente considerando que os times poderão disputar até oito jogos — um a mais do que no antigo formato com 32 seleções.
Para amenizar o problema, a Fifa destaca o uso de estádios climatizados ou com teto retrátil, como os de Dallas, Houston, Atlanta e Vancouver. Ainda assim, a maioria das partidas será disputada ao ar livre, onde o ajuste de horários passa a ser o único meio de controle.
Horários vs. audiências globais
A definição dos horários não será simples. As emissoras pressionam por jogos em horários nobres para a Europa e a Ásia, o que pode empurrar partidas para a parte mais quente do dia nas cidades-sede. O equilíbrio entre interesse comercial e segurança dos jogadores virou um dos maiores desafios operacionais da Fifa.
Somente no dia seguinte ao sorteio a entidade divulgará a tabela completa, com locais e horários de cada jogo.
Potes, regras e cenários políticos
A cerimônia usará quatro potes definidos pelos rankings e por critérios continentais. Os anfitriões — EUA, Canadá e México — serão distribuídos em grupos distintos, junto às seleções melhor posicionadas, como Argentina, França, Espanha e Inglaterra. Se confirmarem o favoritismo e liderarem seus grupos, essas equipes só podem se cruzar nas fases avançadas da competição.
O sorteio também ocorre em um ambiente político sensível, após o retorno de Donald Trump à Presidência dos EUA. O cenário gera dúvidas sobre vistos, protocolos de imigração e coordenação de segurança entre os três países. A Fifa garante que o planejamento não foi afetado, embora o evento dependa de logística transfronteiriça alinhada. O Irã anunciou que boicotará a cerimônia, alegando dificuldades na obtenção de vistos.
Calor pode decidir mais do que os adversários
Para muitas seleções estreantes e países menores, competir em condições climáticas extremas pode ser tão desafiador quanto enfrentar grandes potências. Para as favoritas, o sorteio de sexta determinará não só os confrontos, mas também o nível de desgaste físico ao longo da caminhada.
Alguns estádios oferecem proteção e climatização; outros expõem jogadores a viagens longas e calor intenso, fatores que devem influenciar escalações, gestão de elenco e estratégias de recuperação.
A final está marcada para julho, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Gianni Infantino descreve esta edição como “a Copa do Mundo mais inclusiva da história”, embora admita que mais inclusão significa também maior complexidade.
No fim, ao entrar na cerimônia, muitos técnicos estarão menos focados em evitar grandes seleções e mais atentos ao impacto da logística, do clima e das viagens — componentes que podem ser decisivos desde a primeira fase.
O novo formato, além disso, reduz as chances de surgirem os tradicionais “grupos da morte”, diminuindo a tensão que normalmente domina os sorteios anteriores.









