Crédito da Foto: Cris Mattos/CPB
O esporte paralímpico brasileiro viveu um domingo histórico (5) no Campeonato Mundial de Atletismo Paralímpico, em Nova Déli, na Índia. Pela primeira vez na história, o Brasil terminou a competição no topo do quadro de medalhas, com um total de 44 pódios: 15 ouros, 20 pratas e nove bronzes. A conquista superou a China, que ficou em segundo lugar com 13 ouros.
Este feito é ainda mais significativo considerando que a China raramente perde a liderança no Mundial. A última vez que o país não terminou em primeiro foi em 2011, quando a Rússia levou o título em Lyon, na França. O Brasil, por sua vez, vinha ficando próximo do topo nas últimas três edições, conquistando o segundo lugar em Dubai (2019), Paris (2023) e Kobe (2024), apesar de números expressivos de medalhas.
Ouro logo cedo
O domingo começou dourado para a delegação brasileira com Zileide Cassiano, que conquistou o ouro no salto em distância da classe T20 (deficiência intelectual), repetindo o resultado do Mundial de Kobe e superando Karolina Kucharczyk, da Polônia, que desta vez ficou com o bronze.
Jerusa Geber faz história
O segundo ouro do Brasil veio com Jerusa Geber, nos 200 metros da classe T11 (cegos totais). Com a vitória, Jerusa alcançou sua 13ª medalha em Mundiais, tornando-se a brasileira mais laureada na história do evento, superando Terezinha Guilhermina. Na mesma prova, Thalita Simplício levou o bronze.
“Alcancei dois objetivos: o tetra nos 100 metros e ser a atleta com maior número de medalhas em Mundiais. Estou saindo sem lesões e já olho para Los Angeles 2028. Quero o penta, o hexa, quero tudo”, declarou Jerusa, de 43 anos, ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).
Ouro após protesto
Nos 200 metros da classe T12 (baixa visão), a estreante Clara Daniele inicialmente foi prata. Após protesto do CPB contra a venezuelana Alejandra Lopez, alegando irregularidade do atleta-guia, a arbitragem confirmou a vitória de Clara, garantindo o terceiro ouro brasileiro do dia.
Mais medalhas
No último dia, o Brasil ainda conquistou outros dois pódios: Maria Clara Augusto foi prata nos 200 metros da classe T47 (amputação parcial do braço), alcançando seu terceiro pódio neste Mundial, enquanto Edenilson Floriani ficou com o bronze no arremesso de peso F42/F63, batendo seu próprio recorde das Américas.
Além disso, Thiago Paulino teve confirmada a prata no arremesso de peso da classe F57, disputada no sábado (4). A medalha havia sido questionada por um adversário, mas o protesto do CPB garantiu a manutenção do resultado.
Com esses resultados, o Brasil celebra um marco histórico no atletismo paralímpico e consolida sua força no cenário mundial, reafirmando o potencial de seus atletas em todas as classes.









