Crédito da Foto: Vítor Silva/Botafogo
O Botafogo deu um importante passo no processo de mudança de controle da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Nesta sexta-feira, o clube oficializou a assinatura de um acordo vinculante com a GDA Luma, grupo norte-americano liderado por Gabriel de Alba, que apresentou proposta para assumir a gestão do futebol alvinegro.
O negócio prevê um investimento total de US$ 105 milhões, valor que corresponde a aproximadamente R$ 503 milhões na cotação atual. O plano estabelece um aporte inicial de US$ 25 milhões, cerca de R$ 130 milhões, que poderá ser liberado nos próximos dias para reforçar o caixa do clube.
Apesar do avanço, a concretização da operação ainda depende de algumas etapas. Atualmente, as ações da SAF estão sob controle da Cork Gully, empresa britânica responsável pela administração da Eagle Football Holdings.
Pelo documento firmado, o Botafogo se compromete a concluir futuramente a transferência da SAF para a GDA, desde que haja um entendimento com a Eagle Football. Gabriel de Alba, principal nome do grupo investidor, já possui relação com o clube, pois sua empresa realizou um empréstimo de US$ 25 milhões ao Botafogo em fevereiro deste ano, período em que a SAF ainda era administrada por John Textor.
Segundo a diretoria do clube, as ações de Textor teriam sido dadas como garantia no contrato de empréstimo firmado com a GDA. A partir disso, o Botafogo associativo iniciou negociações para revisar os termos anteriormente estabelecidos e buscar uma solução considerada mais favorável para a instituição.
Na prática, considerando o valor já emprestado anteriormente, o clube receberia cerca de US$ 80 milhões adicionais ao longo da operação. O primeiro aporte deverá ser utilizado para regularizar pendências financeiras, incluindo salários e outras obrigações.
Após a assinatura do acordo, Gabriel de Alba destacou os objetivos do grupo para o futuro do Botafogo.
“Queremos transformar o Botafogo em uma referência esportiva e institucional, acumulando conquistas dentro de campo e mantendo os mais elevados padrões de gestão e governança nas Américas”, afirmou o empresário.
Entretanto, a negociação ainda enfrenta obstáculos. A GDA precisa chegar a um acordo com a Eagle Football para adquirir os direitos sobre as ações da SAF. Paralelamente, o Botafogo busca um entendimento financeiro com a Eagle e também com o Lyon, clube francês ligado ao grupo, para encerrar disputas judiciais e permitir a conclusão definitiva da venda.
Na tentativa de avançar nas conversas, o presidente do Botafogo associativo, João Paulo Magalhães, reuniu-se nesta sexta-feira com Michele Kang, presidente do Lyon. Até o momento, porém, não houve consenso entre as partes.
### Disputa com John Textor continua
A situação se torna ainda mais complexa devido à posição de John Textor. Afastado do controle da SAF em abril por decisão do Tribunal Arbitral da Fundação Getulio Vargas (FGV), o empresário norte-americano afirma que continuará lutando para recuperar sua participação no clube.
Nos últimos dias, Textor ingressou com ações judiciais no Brasil e nos Estados Unidos contra a Eagle Football, alegando possuir direitos sobre a SAF do Botafogo.
Durante passagem pelo Rio de Janeiro nesta semana, o empresário declarou que continua sendo proprietário de 90% das ações e alertou potenciais investidores sobre os riscos de qualquer negociação em andamento.
Segundo Textor, qualquer venda realizada sem a resolução do impasse jurídico poderá ser contestada futuramente, aumentando a insegurança em torno da transferência do controle do futebol alvinegro.









