Crédito da Foto: Arquivo/Assessoria
O piloto Aélcio Barbosa Silva, de Lucas do Rio Verde, voltou a fazer história no parapente. Pelo segundo ano consecutivo, ele conquistou o título da categoria Sport no XC Parapente Conquista d’Oeste, realizado entre os dias 13 e 16 de agosto, na Rampa Paraíso.
Aélcio terminou a competição com 289,27 quilômetros acumulados nos três melhores voos, resultado que garantiu o bicampeonato e ainda representou a maior distância registrada entre as categorias Sport, Open e Lite.
Para a classificação oficial, foram considerados voos de 120,90 quilômetros, 104,75 quilômetros e 63,62 quilômetros. O segundo colocado da categoria Sport somou 256,54 quilômetros.
O desempenho do piloto de Lucas do Rio Verde também superou a marca do campeão da categoria Open, principal classe da competição. O vencedor acumulou 266,77 quilômetros, enquanto Luiz Martins, de Sorriso, terminou na segunda posição da Open, com 252,16 quilômetros.
O campeonato reuniu atletas de Mato Grosso, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, aumentando o nível técnico da disputa e fortalecendo o evento no cenário nacional do voo livre.
Evolução marcou trajetória no campeonato
Aélcio participa do XC Conquista d’Oeste desde 2023. Na estreia, terminou em terceiro lugar. Em 2024, ficou na quarta posição e, no ano seguinte, conquistou seu primeiro título da competição.
Em 2026, voltou à Rampa Paraíso buscando repetir o resultado e conseguiu alcançar novamente o topo da categoria Sport.
Mais do que superar os adversários, porém, o piloto destaca que sua principal motivação é evoluir individualmente.
“Eu não queria voar mais que ninguém. Eu queria voar mais que eu mesmo”, afirmou.
Os números registrados durante a competição mostram o alto nível de exigência do esporte. Em um dos voos, Aélcio permaneceu no ar por 5 horas e 26 minutos e percorreu 123 quilômetros. Em outras duas atividades, registrou 66,9 quilômetros em 3 horas e 16 minutos e 107 quilômetros em cinco horas.
Para o resultado oficial do campeonato, foram considerados os dados registrados pelo sistema XC Brasil, que totalizaram 289,27 quilômetros.
Corrente de ar salvou voo decisivo
Um dos episódios mais marcantes da competição aconteceu no segundo dia. Aélcio chegou a ficar a aproximadamente 20 metros do solo e estava perto de finalizar o voo.
Antes de pousar, entretanto, percebeu o movimento de uma palmeira e identificou a possibilidade de uma corrente de ar quente, conhecida como térmica. O piloto se dirigiu ao local, conseguiu ganhar altitude novamente e manteve-se na disputa.
Durante a recuperação, a vela apresentou movimentos bruscos, mas Aélcio conseguiu controlar o equipamento e continuar o voo. O resultado foi o segundo maior percurso da competição naquele dia.
O piloto utilizou o parapente LT2, da Sol Paragliders, nas conquistas de 2025 e 2026. Segundo ele, a estabilidade, a segurança, a velocidade e o desempenho nas térmicas contribuíram para os resultados.
“O equipamento não voa sozinho. Ele vai para onde eu peço e se comporta conforme eu comando”, explicou.
Paixão pelo voo começou há mais de dez anos
Aélcio entrou para o mundo do voo livre em 2013, depois de receber o convite de um amigo. A paixão pelos voos, no entanto, começou ainda na juventude, quando desenvolveu admiração pelos aviões.
Como Lucas do Rio Verde não possui montanhas próximas para as tradicionais decolagens, o piloto buscou alternativas. Inicialmente, passou a praticar com paramotor e, posteriormente, adotou o sistema de voo rebocado.
Com essa técnica, já realizou um percurso de aproximadamente cinco horas, saindo da região de Lucas do Rio Verde e chegando próximo ao Posto Gil.
A primeira participação em competições aconteceu em 2019, em uma etapa do Campeonato Goianiense de Parapente, em Jaraguá (GO). Aélcio terminou aquela prova na quarta posição.
Desde então, intensificou os treinamentos e passou a estudar ainda mais fatores como meteorologia e comportamento da atmosfera. Ao longo dos anos, voou em diferentes estados brasileiros, além de ter experiência internacional em Iquique, no Chile.
Apoio da família também foi importante
A conquista do bicampeonato teve um significado ainda maior pela presença da família. A esposa de Aélcio percorreu mais de 600 quilômetros para acompanhar a competição, depois de uma semana de trabalho. Ela viajou acompanhada de uma amiga, cujo marido também participava da disputa.
Para o piloto, o apoio familiar é fundamental durante a preparação e as competições.
O XC Parapente Conquista d’Oeste contou com apoio da prefeitura e participação de praticantes do esporte, entre eles Fernando Moraes, que ajudou na organização e também competiu.
Olho nos próximos desafios
A temporada de Aélcio ainda não terminou. O piloto também disputa o XC Amazônia, em Rondônia, onde lidera a categoria C e aguarda a conclusão oficial da competição.
Com mais de uma década dedicada ao parapente, o luverdense agora mira novos objetivos, como conquistar maior reconhecimento nacional e representar uma fabricante do segmento.
O bicampeonato em Conquista d’Oeste reforça a evolução do piloto, que mantém como principal meta continuar superando seus próprios limites e melhorar a cada novo voo.









