Crédito da Foto: Marco Galvão/Agência Corinthians
A chegada de Dorival Júnior ao Corinthians foi cercada por desconfiança de parte da torcida, principalmente pelo trabalho abaixo das expectativas à frente da Seleção Brasileira. O próprio treinador reconheceu que precisava se reencontrar profissionalmente após a passagem pela Canarinho. No comando do Timão, Dorival encontrou respostas, solucionou problemas recorrentes da equipe e voltou a se firmar no cenário nacional, coroando o trabalho com o título da Copa do Brasil.
Contratado em abril do ano passado, cerca de um mês depois de deixar a Seleção, Dorival assumiu o lugar de Ramón Díaz com uma missão bem definida: corrigir as fragilidades defensivas do Corinthians. Com o técnico argentino, o time havia sofrido 28 gols em 26 partidas, média superior a um gol por jogo.
A correção no sistema defensivo foi um dos primeiros avanços da nova comissão técnica. Sob o comando de Dorival, a equipe ganhou mais consistência atrás, com menos oscilações e crescimento individual de jogadores como Gustavo Henrique, André Ramalho e João Pedro Tchoca. Em 43 partidas, o Corinthians sofreu 39 gols e passou ileso em confrontos decisivos, como os dois clássicos das oitavas de final da Copa do Brasil.
Lesões e aposta nos jovens
Durante a temporada, Dorival precisou lidar com inúmeros obstáculos, especialmente relacionados às lesões. Peças importantes do time titular ficaram fora por longos períodos. Rodrigo Garro, por exemplo, sofreu três lesões em 2025 e esteve ausente em 34 dos 74 jogos disputados. Em outros momentos, o treinador também não pôde contar com nomes como Memphis, Yuri Alberto e Carrillo, além de lidar com frequentes problemas musculares no elenco.
Com o Corinthians impedido de contratar devido ao transfer ban envolvendo Félix Torres e apenas um reforço chegando na janela do meio do ano, Dorival recorreu a um caminho que conhece bem: a base. O treinador acelerou a transição de jovens do Terrão para o profissional e deu oportunidades a atletas como Gui Negão, Dieguinho, André Luiz, Ryan e Bahia.
Os garotos corresponderam quando acionados. Gui Negão foi decisivo nas quartas de final da Copa do Brasil, enquanto Dieguinho e André Luiz tiveram boas atuações no Brasileirão. Ryan e Bahia, mesmo com menos minutos, também cumpriram bem seus papéis quando chamados.
Bidon ganha protagonismo no meio
Outro ponto positivo da passagem de Dorival foi a mudança de função de Breno Bidon. Desde a chegada ao clube, o treinador deixou claro que via o jovem de 20 anos como meia, e não como volante. Atuando mais adiantado, o camisa 27 evoluiu, ganhou protagonismo e encerrou a temporada entre os jogadores mais regulares do elenco.
A alteração de posicionamento aconteceu, sobretudo, pela dificuldade em substituir Rodrigo Garro, pouco disponível ao longo do ano. Com mais liberdade, Bidon se destacou, principalmente na final da Copa do Brasil, quando iniciou a jogada do segundo gol. O bom desempenho despertou interesse do mercado, mas o Corinthians promete dificultar qualquer negociação.
Oscilações no Brasileiro
Apesar do sucesso na Copa do Brasil, a temporada também teve pontos negativos. O Corinthians foi eliminado da Copa Sul-Americana ainda na fase de grupos, resultado que gerou críticas, mas que também foi influenciado pela campanha irregular herdada da comissão anterior.
No Campeonato Brasileiro, o desempenho ficou aquém do esperado. O Timão terminou na 13ª colocação, atrás do Santos, sem chegar a brigar contra o rebaixamento, mas com muitas oscilações. Empates em casa contra Fortaleza, Juventude e Vitória evidenciaram erros individuais e perda de pontos importantes.
Dorival reconheceu as falhas em algumas partidas, mas sempre destacou o alto número de lesões e o elenco curto. Embora esses fatores expliquem parte das dificuldades, não apagam atuações ruins, como contra o Sport, na Ilha do Retiro, e diante do Ceará, em Itaquera.
Título da Copa do Brasil e blindagem interna
O grande marco do trabalho de Dorival Júnior no Corinthians foi a conquista da Copa do Brasil. Especialista no torneio, o treinador conduziu o Timão ao tetracampeonato com números expressivos: dez jogos, oito vitórias, um empate e apenas uma derrota, alcançando 83,3% de aproveitamento. A equipe marcou 12 gols e sofreu apenas três, sendo dois na semifinal e um na decisão.
Durante a competição, o Corinthians apresentou um nível de concentração e eficiência muito superior ao exibido no Brasileirão, deixando as oscilações de lado e mostrando maturidade nos jogos decisivos. Parte desse mérito passa diretamente pela leitura de jogo e experiência do treinador em mata-matas.
Além do campo, Dorival também teve papel importante nos bastidores. Ao lado de Fabinho Soldado, então diretor de futebol, ajudou a blindar o elenco em meio às turbulências políticas do clube, mantendo o foco dos jogadores exclusivamente no desempenho esportivo.
Números de Dorival Júnior no Corinthians
Jogos: 43
Vitórias: 18
Empates: 12
Derrotas: 13
Aproveitamento: 51,1%
Gols marcados: 46
Gols sofridos: 39
Títulos: 1 (Copa do Brasil)









