Crédito da Foto: Dorileo Leal, Diogo Pécora, da FMF, e Ítalo Freita
O dia 7 de janeiro de 2026 entra para a história do futebol mato-grossense. Pela primeira vez, um clube do Estado estará presente na elite do futebol feminino nacional. Na tarde desta quarta-feira (7), o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, confirmou oficialmente a inclusão do Mixto Esporte Clube na Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino.
Atual campeão da Série A3, o clube alvinegro vinha disputando a Série A2 até a temporada passada, quando encerrou sua participação na terceira colocação do Grupo B. No ranking geral da CBF, o Mixto aparece na 30ª posição. Com as desistências de Fortaleza-CE e Real Brasília-DF, coube à entidade máxima do futebol nacional indicar o clube que ocuparia a vaga remanescente na elite.
A confirmação foi anunciada durante entrevista coletiva na sede da Federação Mato-grossense de Futebol (FMF). O presidente da entidade, Diogo Pécora, ressaltou que a escolha seguiu critérios técnicos e valorizou a campanha realizada pelas Tigresas.
“O Mixto conquistou essa vaga por mérito próprio. Ficou em sexto lugar na classificação geral do Campeonato Brasileiro”, afirmou Pécora.
Presente no evento, o CEO do Mixto, Dorileo Leal, celebrou a decisão e destacou a importância histórica do momento para o clube e para o futebol feminino no Estado. Ex-candidato à presidência da FMF, ele ressaltou o trabalho de estruturação desenvolvido nos últimos anos.
“A torcida mixtense, que sempre esteve ao lado do clube, agora poderá viver esse momento único. Vamos enfrentar os maiores clubes do país aqui na Arena Pantanal. Começamos do zero, profissionalizamos o futebol feminino, algo que praticamente não existia em Mato Grosso. Fomos campeões da Série A3, conquistamos o acesso e agora estamos na Série A. É hora de comemorar, mas também de agir rápido para reforçar o elenco e representar o Estado com a grandeza que essa camisa exige”, declarou.
O presidente do clube, Ítalo Freitas, também comemorou a conquista, que coincidiu com seu aniversário de 27 anos. “Não poderia receber um presente melhor”, afirmou.
Nos próximos dias, o Mixto deve anunciar oficialmente a nova comissão técnica, que já está definida e comandará as Tigresas na preparação para a elite nacional.
A CBF ainda divulgará a tabela detalhada da competição, que tem início previsto para 15 de fevereiro e término em 4 de outubro. A Série A1 de 2026 contará com 18 clubes, dois a mais que na edição anterior. Além do Mixto, participam América-MG, Bahia, Bragantino, Corinthians, Cruzeiro, Ferroviária, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Juventude, Palmeiras, São Paulo, Vitória, além de Atlético-MG, Botafogo e Santos, que conquistaram o acesso.
Reconhecimento institucional
Ao comentar a confirmação da vaga, Dorileo Leal fez questão de agradecer o empenho das entidades envolvidas, destacando o cumprimento rigoroso do regulamento.
“Meu agradecimento especial ao presidente Samir Xaud, à CBF, à FMF e ao vice-presidente Francisco Mendes, que trabalharam para que a justiça fosse feita. O Mixto se habilitou esportivamente para estar aqui, e a CBF não permitiu que uma vaga fosse ocupada de forma irregular”, afirmou.
Segundo o dirigente, o objetivo inicial será garantir a permanência na elite, ao mesmo tempo em que a participação fortalece todo o futebol mato-grossense.
“O impacto dessa conquista vai muito além do Mixto. O futebol de Mato Grosso ganhará uma visibilidade que nunca teve”, completou.
Premiação e investimentos
Com a entrada na Série A1, o Mixto receberá R$ 720 mil apenas pela participação na primeira fase. A CBF anunciou recentemente mudanças significativas no calendário e no investimento no futebol feminino para o ciclo entre 2026 e 2029, com aporte total de R$ 685 milhões.
Em 2026, as competições terão aumento nas cotas e premiações. O presidente da CBF reforçou o compromisso com a valorização da modalidade e garantiu a transmissão integral dos torneios.
“Estamos ampliando investimentos e garantindo visibilidade total. Todas as partidas terão transmissão, do sub-17 à elite”, afirmou Samir Xaud.
Entre os principais reajustes, o Campeonato Brasileiro A1 passa a pagar R$ 720 mil na fase inicial e até R$ 2 milhões ao campeão. A Supercopa, Copa do Brasil e as divisões A2 e A3 também tiveram aumentos expressivos, assim como as competições de base, que receberam reajuste de 10% nas cotas.
A participação do Mixto na elite nacional consolida um novo capítulo para o futebol feminino em Mato Grosso, marcando um avanço histórico tanto esportivo quanto institucional.









